Setor do petróleo e gás sozinho foi responsável por acrescentar R$ 3 bilhões no exercício fiscal do Rio Grande do Norte em 2018, com quatro mil pessoas empregadas diretamente, podendo quintuplicar esse número se o novo marco do gás for aprovado no Congresso
Projeto de Lei da nova lei do gás que tramita no Congresso há pelo menos sete anos com o propósito de aumentar a concorrência no mercado de gás natural – Foto: Reprodução
Em meio à fase mais aguda da pandemia, dividindo preocupações com os problemas sanitários, o programa Mais RN, criado pela Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (FIERN) para diagnosticar gargalos e orientar o crescimento econômico do estado, acompanha com interesse o projeto que chancelará o novo marco legal do gás, que poderá ser votado ainda este mês no Congresso.
Afinal, são nas grandes crises que soluções para o futuro se tornam prioridades, tendo em vista as sequelas econômicas produzidas pela epidemia e que se somam a problemas anacrônicos que impedem os projetos econômicos importantes de prosperar e gerar empregos, renda e tributos para o desenvolvimento.
É o caso do Projeto de Lei da nova lei do gás que tramita no Congresso há pelo menos sete anos com o propósito de aumentar a concorrência no mercado de gás natural, atraindo novos investidores, trazendo mais competitividade ao setor e reduzindo os custos de produção e o preço final ao consumidor. Tudo o que uma economia moderna precisa.
Aprovado no dia 10 de dezembro último pelo Senado Federal, o PL 4476/2020, é verdade, sofreu alterações em relação ao projeto original aprovado pela Câmara em 1º de setembro, mas há um esforço grande para que ele passe na sua integralidade agora que voltou a Casa.
Para o deputado federal Benes Leocádio (Republicanos/RN), que acompanha de perto esse processo, há muito otimismo sobre o tema.
“Eu entendo que a nova Lei do Gás deve ser aprovada sim até pela forma como é comercializado o nosso gás natural e o grande potencial que o Brasil tem nesse setor, mas que da forma como se encontra traz grande prejuízo para a geração de empregos”, afirma.
Segundo o parlamentar, especialmente para a nossa região, que tem um grande potencial nesse campo a ser explorado, o formato preconizado na atual legislação precisa mudar, uma vez que centraliza e gera um monopólio do setor.
“Na medida em que admitirmos o livre mercado, novos investidores virão e a indústria brasileira poderá ser uma grande consumidora de gás natural a partir da queda dos preços”, sustenta.
Ou seja, a livre comercialização fará que novos empreendimentos surjam num ambiente mais competitivo, gerando empregos e tributos para o governo e uma guinada positiva para a economia do País. Não é sem razão que esse questão está no topo do radar do Mais RN. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com a nova lei, os investimentos nesse setor poderão chegar à meteórica cifra de R$ 150 bilhões em 2030.
Suelen Torres, assessora técnica do Mais RN da Fiern, o setor do petróleo e gás sozinho foi responsável por acrescentar R$ 3 bilhões no exercício fiscal do Rio Grande do Norte em 2018, com quatro mil pessoas empregadas diretamente, podendo quintuplicar esse número se o novo marco do gás for aprovado no Congresso.
“Sem contar – acrescenta ela – que a lei também poderá melhorar os acessos para refinaria Clara Camarão, em Guamaré, cuja capacidade produtiva vem sendo limitada por pura burocracia, mas que pode produzir em seu pleno potencial.
Uma das principais mudanças que a nova lei do gás traz é acabar com o regime de concessão, com licitação por parte do poder público, permitindo que novos gasodutos sejam construídos por meio do regime de autorização, modelo praticado em todo o mundo. E tudo isso com o objetivo de simplificar o processo de concessões, evitar concentração de mercado e aumentar a concorrência.
Há no Brasil nove mil quilômetros de gasodutos
“Qual o planeta que não se beneficia da livre concorrência? ”, pergunta Rodrigo Melo, diretor do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER). Para ele, o Brasil está passando por um momento de transição energética.
“A nossa matriz tem mais de 60% de energias renováveis com as hidroelétricas. Perdemos muito tempo subestimando o gás e por uma razão inacreditável: todo o projeto de utilização de gás era feito a partir da estratégia de uma empresa e não de uma nação”, dispara.
Segundo ele, o resultado é que enquanto há no Brasil nove mil km gasodutos, em países muito menores e de uma indústria mais insipiente, como a Argentina, por exemplo, há 40 mil km de gasodutos. Já num país com as dimensões territoriais do Brasil e com uma indústria bem mais desenvolvida, como os EUA, são cerca de 400 mil km de gasodutos, revela.
“Tudo isso muda quando o gás chega a um preço competitivo na porta da indústria. Ou seja, se for barato e chegar, o empresário usa. E para que isso acontece será necessário um ambiente competitivo de interesse de várias empresas para que se amplie a oferta de gás e, consequentemente, aumente a malha de distribuição”, afirma.
Mas para que isso aconteça, Rodrigo Melo alerta que é necessário criar um ambiente competitivo e atrativo para várias empresas. Hoje, cita que países desenvolvidos como o Japão e os EUA trabalham com o gás a US$ 5 e US$ 7 dólares a unidade, enquanto no Brasil o custo dessa unidade é de US$ 12.
Ele não tem duvida que a partir da existência de um mercado plural e regulado, um produtor de gás de Mossoró não terá nenhum problema para fechar contrato com um consumidor longe dele, usando a infraestrutura disponível e, assim, atraindo mais atores para esse processo, trazendo concorrência e seus benefícios.
“Trata-se de um mercado com potencial para crescer 50 vezes seu atual tamanho, substituindo óleo e carvão por uma energia mais limpa”, finaliza Rodrigo Melo.
Entrevista com Marcelo
Rosado Agora RN: Como o senhor vê o desafio do gás no RN?
Marcelo Rosado: Eu vejo entre os principais desafios de um país em crescimento. Fortalecer o gás de forma equilibrada e diversificada, mantendo a matriz competitiva e o mais próximo possível das regulamentações ambientais, garantirá o crescimento com desenvolvimento sustentável de toda a nação.
Agora RN: O senhor acredita que com a expansão das energias mais limpas, como a eólica e a solar, o gás terá o seu espaço?
Marcelo Rosado: Felizmente, há uma grande oportunidade no Brasil, pois além da possibilidade de diversificação, temos a garantia de abundância de uma forma geral, e essa riqueza sendo explorada de forma estratégica, poderá garantir abastecimento através de energia limpa e competitiva a toda a sociedade, e em especial oferecer opções de menor custo ao nosso parque industrial.
Agora RN: Como anda esse processo no RN?
Marcelo Rosado: O RN possui um grande potencial neste sentido, pois com a chegada das novas empresas exploratórias de petróleo e gás, esse setor trará impacto muito positivo nos mais diversos aspectos, que irá da geração de impostos, royaltes , empregos desde a prospecção, passando pelo transporte e beneficiamento, indo até o abastecimento de condomínios, Comercio, serviços e indústrias.
Agora RN: Já há uma agenda nesse sentido?
Marcelo Rosado: Estamos com uma agenda desafiante neste ano com relação à lei do gás, pois precisaremos de uma regulamentação nacional e estadual aprovada em termos de legislação, que se torne justa e equilibrada na parte tributária, de licenciamentos e de tantos outras fases com poder decisório para se criar um ambiente saudável em atrair investimentos que fortaleça a cadeia produtiva desde a produção até o seu uso.
Agora RN: Em que medida o RN pode se destacar nessa corrida?
Marcelo Rosado: O RN poderá se diferenciar perante aos outros estados do Brasil interiorizando os investimentos, usando esse potencial de matriz energética para garantir a expansão do nosso parque industrial, pois as despesas de transporte estarão reduzido sendo um grande produtor estadual. Olha, não temos tempo a perder. As oportunidades já estão mapeadas. Resta-nos priorizarmos de forma participativa a vigilância dessa importante agenda, e garantirmos que ela se materialize da melhor forma, onde essa riqueza natural, se transforme em prosperidade para o povo do RN.
Fonte: Agora RN