Preocupante: Samu tem 18 ambulâncias ‘presas’ no Walfredo Gurgel


Sem leitos disponíveis no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, o maior do rio Grande do Norte, 18 das 53 viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no estado estão sem prestar atendimento no estado no início da tarde desta segunda-feira (3). O motivo é a superlotação do hospital, já que os pacientes ficam nas macas de viaturas do Samu, o que prejudica a liberação das ambulâncias. Na manhã de segunda, 127 pacientes estavam internados nos corredores da unidade.

Segundo o Samu Natal, das 13 viaturas que atendem a capital potiguar, dez estavam paradas no hospital. As nove para casos considerados de atendimento básico e uma do atendimento avançado, direcionada para acidentes mais graves, aguardavam liberação no hospital, nesta segunda.

Já o Samu Metropolitano, responsável pelo serviço de atendimento no restante do estado, confirmou que oito viaturas que atendem o Rio Grande do Norte aguardavam pela liberação das macas no maior hospital do estado. De acordo com a coordenação do Samu Metropolitano, algumas viaturas que vieram de cidades do interior foram liberadas após receberem macas reservas, para que não deixem os municípios desassistidos.

Fátima Pereira, diretora do Hospital Walfredo Gurgel, reconheceu a superlotação do hospital e disse desconhecer o motivo. “Não houve nenhuma catástrofe que causasse essa superlotação. Infelizmente, o hospital está um caos”, lamentou.

Segundo Fátima, nesta segunda-feira há um excedente de 87 pacientes no Walfredo Gurgel. Ainda de acordo com a diretora, o hospital já costuma trabalhar normalmente com, pelo menos, 40 pessoas internadas nos corredores da unidade. “Eu não sei o que fazer em uma situação dessas. Em dois dias, 92 ambulâncias que vieram de todo o estado trouxeram pacientes. Eles ficam internados em macas e o Samu se prejudica com isso”, explicou.

Efeito dominó

Um socorrista do Samu Natal que não quis se identificar explicou que a falta de leitos no hospital causa um efeito dominó. “Depois do atendimento na rua, o paciente vem e tem que fazer exames de imagens. Ele fica na maca da ambulância e o serviço fica parado temporariamente”, explicou.

Segundo o socorrista, as ambulâncias paradas prejudicam o socorro em toda a cidade. “Se precisar de urgência, tem que ver com a central [do Samu] a disponibilidade. A depender da localidade, o tempo de resposta fica prejudicado”, disse.

Pessoas internadas nos corredores chegaram a relatar que estavam internados nos corredores do local há 10 dias. Um paciente que não se identificou disse que sofreu um acidente de moto e está há oito dias em uma maca no corredor do Walfredo Gurgel.