MUNDO: Número de vítimas de tráfico ultrapassou 50 mil em todo o mundo

Levantamento das Nações Unidas considera 148 países e alerta para grave subnotificação de casos em todo o mundo

Vítima de tráfico de pessoas no Haiti (Foto: UNICEF)

A publicação alerta para milhões de mulheres, crianças e homens em todo o mundo que estão sem trabalho, fora da escola e sem apoio social. A previsão é que venha a piorar o risco de tráfico.

Criminosos 

Para a diretora executiva do Unodc, Ghada Waly, é preciso direcionar a ação para impedir que os criminosos tirem proveito da pandemia para explorar os mais vulneráveis.

As vítimas do sexo feminino continuam sendo os alvos principais. Quase metade das vítimas identificadas em nível global eram mulheres adultas e 20% meninas. Outros cerca de 20% eram homens adultos e 15% meninos.

Nos últimos 15 anos, o número de vítimas aumentou e alterou o perfil. A proporção de mulheres adultas caiu de mais de 70% para menos da metade. Em relação às crianças, a alta foi de cerca de 10% para mais de 30%.

No mesmo período, a proporção de homens adultos quase dobrou de cerca de 10% para 20%. Em geral, metade das vítimas detectadas foi traficada para a exploração sexual, 38% para trabalhos forçados e 6% envolvidas em atividades criminosas forçadas.

Casamentos

Cerca de 1%  das vítimas no período analisado foram coagidas a mendigar e um número menor forçadas a casamentos forçados, remoção de órgãos e outros fins.

Os perfis das vítimas variam de acordo com a forma de exploração. A maioria das mulheres e meninas sofreu exploração sexual, enquanto homens e meninos foram mais envolvidos no trabalho forçado.

O número de pessoas afetadas vem aumentado continuamente por mais de uma década. Elas são colocadas em setores econômicos onde o trabalho se realiza de formas isoladas, incluindo agricultura, construção, pesca, mineração e trabalho doméstico.

Em relação ao perfil dos traficantes, a maioria dos que foram levados aos tribunais e condenados pelo crime continua sendo do sexo masculino, com cerca de 64 e 62%, respectivamente.

Direitos Humanos

O Unodc realça que estes traficantes podem integrar grupos do crime organizado, que tem levado a maioria das vítimas para indivíduos que operam por conta própria ou em pequenos agrupamentos.

Os traficantes veem suas vítimas como mercadorias, sem qualquer consideração pela dignidade e pelos direitos humanos. O valor da venda pode atingir dezenas de milhares de dólares. Grandes organizações criminosas têm rendimentos mais elevados.

A publicidade envolve a tecnologia no modelo de negócios em todas as etapas do processo. Muitas crianças são abordadas por traficantes nas redes sociais, sendo um alvo fácil por estarem buscando aceitação, atenção ou amizade.

O Unodc identificou duas estratégias: a “caça”, envolvendo um traficante que persegue ativamente uma vítima, normalmente nas redes sociais; e a “pesca”, onde se publicam anúncios de emprego e os traficantes esperam a resposta das potenciais vítimas.

Internet

A internet permite que os traficantes transmitam ao vivo a exploração de suas vítimas, o que permite a transmissão simultânea do abuso de uma vítima por vários consumidores em todo o mundo.

Os dados recolhidos em 148 países identificam 534 tipos de tráfico diferentes, embora as vítimas sejam normalmente traficadas dentro de áreas geograficamente próximas.

Num desses exemplos, meninas recrutadas em uma área urbana podem ser exploradas em motéis ou bares próximos. Globalmente, a maioria das vítimas é resgatada no próprio país de origem.

Nas tendências regionais, a exploração sexual é a que mais domina. Este é o caso da Europa, Américas e Caribe.  Na América do Sul, mais de um terço das vítimas vai para o trabalho forçado, que domina o tráfico na África Subsaariana e na Ásia.

Fonte: A Referência – Noticias Internacionais