Justiça condena ex-chefe do Ibama em Mossoró por corrupção

Após denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça condenou um ex-chefe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Mossoró, na região Oeste potiguar, por corrupção passiva. O servidor foi preso em fevereiro de 2018, dentro da Operação Corrupião, e denunciado por receber propina de empresários e até de um pescador, entre 2017 e 2018.

Em troca do dinheiro, segundo a Justiça, Armênio Medeiros da Costa prometia “rasgar” multas por crimes ambientais e livrar empresas de fiscalizações mais severas. Ele foi sentenciado a oito anos de reclusão e pagamento de multa, além da perda do cargo público, mas ainda poderá recorrer em liberdade.

Na ocasião da prisão, a defesa do servidor afirmou que ele era inocente. O G1 ainda não conseguiu contato com o advogado após a condenação.

De acordo com o MPF, as condutas do réu geraram prejuízos ao meio ambiente e perdas financeiras ao Ibama, que deixou de arrecadar multas, além de causar dano à imagem da instituição.

Propinas

As investigações partiram de declarações de um ex-superintendente do Ibama no RN, afastado do cargo em setembro de 2017 pela Operação Kodama. Ele afirmou que um dirigente da Federação dos Pescadores do estado o informou que Armênio havia solicitado R$ 2 mil em propina a um pescador de Areia Branca para não aplicar uma suposta multa ambiental de R$ 20 mil. A quantia foi repassada em quatro parcelas de R$ 500.

O pescador confirmou o pagamento da propina e relatou a insistência de Armênio Medeiros em cobrar a quitação do acordo. A cobrança foi registrada através de interceptação telefônica, autorizada pela Justiça – na qual os dois falam abertamente dos valores.

G1