Com apoio político, policiais já pressionam 12 Estados por reajuste salarial; RN ainda não aderiu

 

Forças de segurança em ao menos 12 Estados pressionam os governos locais por aumentos salariais. Em cinco deles, policiais já realizaram atos ou paralisações neste mês. A situação é mais grave no Ceará, onde o senador licenciado Cid Gomes (PDT) foi baleado na quarta-feira, 19, ao tentar entrar com um trator em um quartel amotinado. Deputados ligados à bancada da bala e ao bolsonarismo apoiam movimentos no Ceará, Espírito Santo e Paraíba, garantindo respaldo político às demandas dos policiais.

Levantamento feito pelo Estado, com base em redes sociais e informações de entidades de classe, aponta que há também sete Estados em que policiais civis e militares travam embates públicos com o governo em busca de melhor remuneração, embora não tenham feito atos ou paralisações.

No Ceará, o motim de militares começou com uma série de protestos por melhor remuneração em dezembro. Mascarados depredaram viaturas e tomaram quarteis. A Associação das Praças do Estado do Ceará (Asprace), entidade que representa cabos e soldados e vinha negociando com o governo, publicou uma nota em seu site informando que, diante de uma decisão judicial contrária à greve, não estava “promovendo atos grevistas”.

O presidente do Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia (Adepdel) e uma das lideranças do movimento, Steferson Nogueira disse que não foram notificados sobre a decisão judicial que proibiu a paralisação e que ficaram sabendo por redes sociais.

Uma audiência foi marcada entre as entidades da categoria e o governo no próximo dia 28. “Há uma negociação em tramitação desde maio de 2019”, afirmou.

Nogueira afirma que, no momento, não há outra paralisação agendada e que não existe um diálogo com movimentos grevistas de outros Estados. Ele afirma que políticos locais têm apoiado o movimentos dos policiais, mas não citou nomes. Além disso, afirmou que conta com o apoio dos senadores José Maranhão e Daniella Ribeiro. A reportagem não conseguiu contato com os parlamentares.

Os protestos são convocados por redes sociais. “Saia do WhatsApp, saia da sua comodidade, junte-se a nós”, diz o coronel da PM Marcos Alexandre Sobreira, em um vídeo divulgado nas redes sociais pela Associação de Cabos e Soldados local.

A Secretaria de Segurança Pública da Paraíba diz que se articulada com a equipe econômica do governo para manter o diálogo com as categorias, “mesmo a possibilidade de greve e paralisação já ter sido considerada ilegal pela Justiça paraibana”.

Piauí, Pernambuco e Alagoas

No Piauí, um protesto reuniu cerca de cem servidores da área de segurança pública em frente à sede do governo estadual há três dias. Em resposta, o governador Wellington Dias (PT) aumentou o pagamento de operações especiais de R$ 100 para R$ 150 em dias de semana, e R$ 200 nos finais de semana. “O porcentual de ajuste será acima da inflação”, disse o governo, em nota.

Em Sergipe, a Polícia Civil parou por 24 horas na última quarta. Segundo o governo, há uma negociação que “não está sendo feita com os líderes das entidades de classe”, e sim com gestores da PM e da Polícia Civil.

Em Pernambuco e em Alagoas, policiais civis travam embate com o governo e ameaçaram greve durante o carnaval. Já entre os militares, há demandas em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. Neste último, a Associação dos Praças chegou a convocar assembleia para discutir realização de carreatas e contratação de outdoors.

Estadão