
Após um suspense que se arrastou por quase três meses, o ex-presidente Jair Bolsonaro finalmente bateu o martelo e decidiu a data da sua chegada ao Brasil: a quinta-feira da próxima semana, dia 30 de março, pela manhã.
A data não foi escolhida por acaso, e sim segundo um cálculo político feito por integrantes do PL, o partido de Bolsonaro. Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará fora do país, em uma visita oficial a China com uma delegação com dezenas de empresários, governadores e parlamentares.
O objetivo do PL é fazer da chegada de Bolsonaro ao Brasil um grande evento político, para demonstrar o grande apoio ao ex-presidente já no desembarque, com uma multidão à sua espera no aeroporto, como nos tempos de sua primeira campanha à Presidência, em 2018.
Segundo a equipe da coluna apurou, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já mandou o partido estudar os melhores cenários para receber Bolsonaro com segurança.

O partido também já emitiu os bilhetes aéreos: a previsão é a de que o ex-ocupante do Palácio do Planalto pegue um voo comercial, às 21h55, direto, de Orlando para Brasília, na noite do dia 29 com previsão de chegar a Brasília às 7h10 da manhã do dia 30. A viagem tem duração de oito horas e quinze minutos.
Conforme informou a coluna, a data do retorno de Bolsonaro ao Brasil dividiu aliados. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a anunciar em suas redes sociais o retorno de Bolsonaro ao Brasil para o dia 15 de março, acompanhado de uma imagem do pai com a faixa presidencial e a frase “Bolsonaro vem aí”. Depois, apagou a mensagem, alegando que a data “não confirmada ainda”.
“Eu apaguei porque ele (Bolsonaro) não tinha confirmado… Eu postei sem ele ter confirmado. Aí ele falou, ‘Olha, mudei, vou ficar mais tempo, porque tenho de fazer mais coisas aqui, tenho mais gente para encontrar. Quando tiver a data, eu vou informar, vou deixar público’. Não deve demorar. Espero que até abril ele esteja de volta. Essa é a minha torcida”, afirmou Flávio à equipe da coluna há duas semanas.

Uma das preocupações de aliados de Bolsonaro é ele perder o timing para se consolidar como principal voz de oposição ao presidente Lula, reagrupar a base aliada e tentar recuperar o capital político, desgastado após os atentados terroristas de 8 de janeiro e o escândalo das joias sauditas.
É o que gostaria, por exemplo, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que já condicionou o pagamento de salário ao ex-presidente ao seu retorno ao país.
Integrantes da equipe jurídica do PL também concordam que o retorno de Bolsonaro seria um passo importante para acertar a estratégia frente às diferentes investigações que estão fechando o cerco contra o ex-presidente em diversas esferas, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
O retorno imediato ainda serviria para dar aceno à militância, que, em grande parte, se sentiu abandonada e traída após Bolsonaro arrumar as malas e partir para os Estados Unidos, enquanto milhares de apoiadores enfrentavam dificuldades acampados na porta dos quartéis para cobrar uma intervenção militar e tentar impedir a posse de Lula.
Malu Gaspar – O Globo
