Solto oficial de Justiça acusado da morte da dançarina Gis Cruz

Após passar 130 dias na cadeia, o oficial de Justiça Josias Teixeira de Morais, 62 anos, teve o relaxamento de prisão decretado pelo Tribunal de Justiça do RN na segunda-feira (30). Ele é apontado como o responsável pelo acidente que causou a morte da professora e dançarina Gislâne Cruz do Nascimento, 26 anos, no dia 19 de maio deste ano. O réu apresentava sinais de embriaguez e admitiu em audiência de custódia que dirigia sob efeito de álcool e havia tomado remédio controlado.

A advogada do servidor público, Giovana Yasmin Pacheco Pereira de Paula, confirmou que o acusado estava detido na cadeia de Ceará-Mirim, mas já está solto. A decisão pela soltura foi da juíza Ingrid Raniele Farias Sandes, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Natal.

De acordo com a magistrada foi determinado o relaxamento prisão do réu devido à demora na realização do exame de sanidade mental pelo próprio Tribunal de Justiça, o que prejudicou o direito a julgamento em prazo razoável. A magistrada explicou na decisão que a defesa do acusado solicitou a instauração de exame de incidente de sanidade mental, que foi acatado pela Justiça no dia 15 de julho e até o fim de setembro não tinha sido feito.

A defesa de Josias destacou que a decisão do relaxamento tem como fundamento a demora do estado na realização do exame de sanidade mental do acusado. O advogado assistente de acusação do caso, Jesiel Bezerra da Silva, explicou que a decisão foi remetida ao Ministério Público e que a acusação deve recorrer. Jesiel Bezerra argumentou que acredita que a decisão foi precipitada.

“A decisão foi tomada diante da demora do processo que segue, pela demora na realização do exame de insanidade mental. Se o processo é de competência do estado, tem esse o dever de atuar de forma eficiente para não colocar a sociedade em risco, com a soltura do acusado”, ressaltou Bezerra.

No final da manhã desta quarta-feira (2), motoristas de aplicativo se unem em protesto no bairro Pitimbu, onde morava Gislâne e a condutora do veículo que foi atingido, a motorista Iane Ramalho Bezerra. Eles pedem que oficial de Justiça não fique em liberdade.

Mistura de álcool e imprudência provocaram morte da dançarina

Manhã do dia 19 de maio. Era domingo e por volta das 9h30 a professora de dança, Gislâne Cruz, 26 anos, solicitou um transporte por aplicativo para ir fazer um trabalho. Pouco tempo depois, a mãe da Rainha do Carnaval de Parnamirim, Região Metropolitana de Natal, em 2019, também conhecida como professora Gis, recebeu uma ligação dizendo que a filha tinha sido vítima de acidente na Avenida Omar O´Grady, prolongamento da Avenida Prudente de Morais.

De acordo com informações de testemunhas, o motorista de um veículo Sandero pegou a contramão e entrou em alta velocidade no Prolongamento da Prudente, batendo de frente com um veículo modelo Onix que subia na faixa correta no sentido Cidade Satélite/Candelária em direção à Prudente de Morais. Com o impacto, o Onix capotou. Gislâne Cruz, que vinha como passageira, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A motorista de aplicativo que conduzia o Onix foi encaminhada para o hospital e sobreviveu.

O motorista do veículo que provocou o acidente foi o oficial de justiça Josias Teixeira de Morais, 62 anos, que foi preso em flagrante e ao ser detido apresentava sinais de embriaguez, de acordo com a Polícia Rodoviária Estadual de Trânsito (CPRE). Um vídeo mostrando o suspeito com aparentes sinais de embriaguez saindo do hospital Walfredo Gurgel e entrando na viatura do CPRE foi divulgado na época do acidente pelo Whatsapp. Em audiência de custódia realizada em 20 de maio, a justiça converteu a prisão do suspeito em preventiva. Na audiência o oficial de justiça do TJRN admitiu que dirigia sob o efeito de álcool e havia tomado um remédio controlado.

A motorista de aplicativo que dirigia o carro atingido, Iane Ramalho Bezerra, disse que Josias estava muito embriagado e tentou usar a autoridade ao se apresentar como oficial de justiça.

Professora Gis tinha carreira promissora no mundo da dança

Gislâne Cruz era professora de dança e ensinava em escolas particulares de Natal e Parnamirim. Ela foi eleita a Rainha do Carnaval de Parnamirim, por duas vezes, em 2017 e este ano, e tinha carreira de destaque na área artística. Era formada em licenciatura em dança pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e com trabalhos como professora também na Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (Edtam), onde atuou como bailarina clássica.

Duas semanas antes do acidente, a professora postou em um perfil em rede social uma chamada para o clipe da música Um livro sem final, de Alan Persa, em que ela atua como dançarina.

Dias antes, ela colocou o seguinte texto falando sobre o lançamento do trabalho: “Saudade não disfarça” . Saudade, todos nós temos a falar sobre o assunto, o quanto a nossa vida é cheia de momentos e pessoas marcantes, que se eternizarão nas nossas mentes enquanto estivermos por aqui. E é sobre isso que a nova música de trabalho de @alanpersa fala, sobre esse sentimento que, embora às vezes doloroso, só existe porque sempre teremos coisas boas para viver e relembrar.

OP9