Advogado nega deleção e agenda encontra com Morais - Informativo Atitude

Advogado nega deleção e agenda encontra com Morais

O advogado Cezar Bitencourt assumiu nesta semana a defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da presidência no governo Jair Bolsonaro, após uma temporada sem atuar em casos de grande repercussão. O criminalista disse ao Estadão que é um advogado caro, mas não entrou em detalhes sobre os honorários. “Não sou barato, né?”, afirmou.

Quando a reportagem insistiu sobre o valor do contrato, Bitencourt confirmou que o montante acertado chega próximo dos ‘milhões’. “Próximo, por aí. Não vou falar em valores, não”, desconversou. “Só falo dos meus honorários para a Receita Federal e emito as respectivas notas e pago os impostos correspondentes.”

Mauro Cid tem um salário bruto de R$ 26,2 mil como tenente-coronel do Exército. Já o pai dele, o general da reserva Mauro Lourena Cid, recebe cerca de R$ 36,6 mil.

Advogados experientes e com trânsito em tribunais superiores ouvidos reservadamente pelo Estadão afirmam que os honorários cobrados para assumir casos como o do tenente-coronel podem chegar a R$ 2 milhões. Outras variáveis também entram no cálculo, segundo relataram ao jornal, como a complexidade e o interesse em patrocinar o caso.

Alguns, por exemplo, podem até não cobrar nada e trabalhar apenas pela exposição, afirma um advogado com mais de 30 anos de experiência na condição de reserva.

Cezar Bitencourt é professor de Direito Penal e um advogado experiente. Ele defendeu, em 2017, o então deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o “homem da mala”, acusado de intermediar o repasse de R$ 500 mil em propina da JBS ao ex-presidente Michel Temer, no que foi um de seus últimos casos midiáticos.

Agendando Encontro

O advogado Cezar Bitencourt, responsável pela defesa de Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou que irá até o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta segunda-feira. De acordo com o criminalista, o objetivo é agendar uma reunião com o magistrado para se apresentar e “se colocar à disposição da Corte” para esclarecer os fatos sob investigação.

— Pretendo agendar um encontro com o ministro para me apresentar como novo advogado do tenente-coronel Mauro Cid e demonstrar a boa vontade do meu cliente em relação às investigações da Polícia Federal. Ele terá uma postura colaborativa, mas tome cuidado com essa palavra. Não podemos confundir isso com a intenção de realizar qualquer acordo de delação premiada, porque repito sempre que isso não está nos nossos planos — disse, ao Globo.

O advogado contou ter tido, na tarde deste sábado, o segundo encontro com Mauro Cid, no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília, onde o ex-ajudante de ordens está preso preventivamente há quatro meses:

— Passei mais algumas horas com ele e ele segue bem, forte e firme. Como militar, teve uma boa preparação para passar por situações adversas. Mesmo preso, segue praticando exercícios, lendo e confiante em sua nova defesa.

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