
É impossível escrever um texto como esse e não ser arrebatado por uma série de lembranças. Como todos sabem, meus tios foram vítimas do Covid-19 (novo coronavírus), ambos ficaram internados por vários dias. Apesar de ser sempre cobrado para escrever algo aqui, eu me recusava, pois mantinha sempre a esperança de estar celebrando a recuperação de ambos, afinal, os dois foram guerreiros que lutaram de forma incansável. Depois de vários dias internados, meu tio se recuperou e foi liberado no dia 30 de abril, agora nossas atenções se voltavam para minha tia, mas na última semana as notícias sobre seu quadro de saúde não eram tão boas, porém nós sempre mantivemos a fé. Foram muitas orações de diversos seguimentos religiosos (Agradeço a todos pelas orações).

Na manhã da sexta-feira, minha fé desmoronou quando tomei conhecimento que tio tinha acordado e teve uma espécie de visão ou sonho, aonde minha tia dizia que havia falecido, a riqueza de detalhes que ele narrou os fatos foi algo impressionante, que me fez ligar para meu primo Francinaldo, a quem o hospital sempre se reportava. Poucas horas depois, recebo a ligação de Marisa (esposa do meu primo), avisando está triste notícia. Dona Edite como era mais conhecida, era casada com meu tio, seu Chico Calú, e dessa união tiveram três filhos: Francinildo, Franconildo e Francinaldo.
Sempre foi uma esposa, mãe e avó amorosa, e uma dona de casa exemplar. Muito educada, extremante elegante e vaidosa (nunca se pegava Dona Edite desarrumada), sempre foi uma mulher bondosa, generosa e firme, mas sem nunca perder a ternura. Sua morte casou uma grande comoção nas redes sociais. Hoje todos nós estamos sofrendo, mas como diria a música: “só se tem saudades do que é bom”. O céu está em festa com sua chegada, dona Edite Lima.
É bom deixar claro nesta matéria, que meu tio está curado, e que os outros membros da família, assim como eu, passaram pelo período de quarentena recomendado pela Secretaria de Saúde.
