Informativo Atitude - Credibilidade é o que conta

A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Portugal, nesta terça-feira (21), é marcada por manifestações. O partido Chega, do deputado conservador André Ventura, organizou uma concentração nas imediações do Palácio de Belém, em Lisboa, em oposição à visita do petista e sob o lema de combate à corrupção.

Em mensagem divulgada via WhatsApp, membros da sigla afirmam que “este é o momento para defender Portugal” e que “os corruptos não devem ser recebidos com honras de Estado, mas sim criticados”. O protesto começou às 12h30, no horário local.

Manifestantes seguraram cartazes com a frase “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” e imagens do petista vestido com uniforme de presidiário. “Vá embora, não é bem-vindo”, disse uma manifestante.

A educação inclusiva foi protagonista nas ações do Abril Azul realizadas nesta sexta-feira, 17, com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidos pelo Esporte Adaptado. A atividade, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, promoveu momentos de aprendizagem por meio de leitura, brincadeiras, pinturas e desenhos, fortalecendo o desenvolvimento pedagógico.

A coordenadora de Projetos da Secretaria de Educação, Luanda Moreno, destacou a importância da iniciativa. “Nosso foco é garantir que essas crianças aprendam de forma significativa, respeitando suas individualidades. Através de atividades lúdicas, conseguimos estimular não só o desenvolvimento motor, mas também a comunicação, a socialização e o vínculo com o ambiente escolar, tornando a educação mais inclusiva e acessível para todos.”, afirmou.

O projeto atende cerca de 40 participantes, com idades entre 4 e 16 anos, organizados em turmas divididas por faixa etária, o que permite um acompanhamento mais adequado ao desenvolvimento de cada grupo. As atividades acontecem em regime de contraturno escolar, reforçando o processo de ensino-aprendizagem. Além do Esporte Adaptado, são ofertadas sete modalidades esportivas, entre elas judô, taekwondo, jiu-jitsu, ginástica e xadrez, proporcionando experiências que estimulam tanto o desenvolvimento físico quanto cognitivo dos alunos, explicou o secretário da SMEL, Sócrates Garcia.

O Abril Azul é um período dedicado à conscientização sobre o autismo, reforçando a importância da inclusão, do respeito às diferenças e da promoção de oportunidades igualitárias. Nesse contexto, o projeto Esporte Adaptado se consolida como uma importante ferramenta educacional e de transformação social, utilizando o esporte como aliado no desenvolvimento físico, emocional e social, além de estimular habilidades motoras, a socialização e a autonomia.

Imagens: Rodrigo Galvão

Uma decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre o uso de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf, passou a ser usada por advogados em diferentes estados para tentar anular investigações e até reverter prisões, inclusive em casos ligados a milícias, lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

A decisão foi tomada no dia 27 de março e estabelece que os relatórios do Coaf só podem ser utilizados após a abertura formal de inquérito policial. O ministro também proibiu que os documentos sejam usados como ponto de partida das investigações, sob o argumento de evitar a chamada “pesca probatória”.

Segundo especialistas e informações da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, a interpretação da decisão passou a ser utilizada por defesas como base para contestar operações em andamento e questionar a legalidade de provas já coletadas.

Em alguns casos, advogados pedem não apenas a exclusão de relatórios financeiros, mas também a nulidade completa de investigações e a libertação de investigados. A estratégia já aparece em processos envolvendo milícias, contrabando, lavagem de dinheiro e jogos ilegais.

De acordo com as informações, a decisão já foi citada em processos no Ceará, Bahia e Paraná, envolvendo desde operações contra influenciadores ligados a apostas ilegais até investigações sobre milícias e esquemas de contrabando com uso de empresas de fachada.

Fonte: Blog do BG

Os estudantes da Escola Municipal Iolanda Chaves de Lucena receberam na manhã desta sexta-feira (17) o novo fardamento e kit escolar oferecido pela Secretaria Municipal de Educação (SME). A cerimônia contou com a presença do prefeito Emídio Jr e do senador Styvenson Valentim. Além do material escolar, os professores e alunos do ensino fundamental da escola de Lagoa do Mato também receberam tablets, que passarão a ser utilizados como recurso pedagógico pelos alunos.

A entrega representou o compromisso permanente da gestão municipal com uma educação pública cada vez mais digna, estruturada e de qualidade. “Hoje estamos entregando os tabletes, o kit escolar completo e o fardamento que vem com tênis, short, camisa, camiseta e meia. Isso mostra o nosso trabalho, compromisso, zelo e o nosso carinho e respeito com as famílias de Lagoa do Mato. Então senador, muito obrigado”, afirmou Emídio.

Os tablets foram adquiridos por meio de emenda parlamentar destinada pelo senador Styvenson. “Educação é o primeiro caminho para uma sociedade segura e que respeita os cidadãos. E amanhã serão eles que vão estar ocupando os nossos espaços, vão estar na rua e cuidando do seus filhos. Vocês estão recebendo fardamento novo, tablets novos e esse é um compromisso que a gente tem com vocês e com os seus filhos“, disse ele durante a cerimônia.

A entrega marcou, de forma simbólica, o início da entrega do fardamento e kit escolar para toda a rede municipal. “Com certeza as famílias que estão aqui hoje estão muito felizes. Os nossos estudantes sabem da importância, as famílias sabem da importância, de ter um fardamento organizado, de boa qualidade. Hoje a gente consegue, graças a Deus, realizar essa entrega não só na escola Iolanda Chaves, mas em todas as unidades escolares do nosso município“, comentou o secretário da SME, Ademar da Silva Jr.

Imagens: Geraldo Neto e Edeilson Morais

Na manhã desta quinta-feira (17/04), os formandos da Guarda Municipal de Macaíba (GMM) concluíram a fase da prova de tiro. A atividade de hoje aconteceu no estande do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (BOPE/PM), zona norte de Natal, e fez parte da última disciplina do curso de formação, correspondente à prática de tiro com armas de calibres 380mm e 12mm, totalizando 116h, das quais 100h orientadas para disparos com pistolas e as outras 16h para espingardas.

O curso de formação teve início no mês de novembro de 2025 e está em fase de conclusão. Sua carga horária totaliza 576 horas, divididas entre partes teórica e prática, presenciais e à distância, sendo ministrado pela Academia de Formação e Aperfeiçoamento da Guarda Municipal de Natal (AFAGMN), em conformidade com todas as diretrizes da matriz curricular da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), garantindo formação técnica e comportamental de excelência para os futuros agentes.

Depois de formados, os integrantes da futura GCM poderão atuar nas ruas, prédios públicos e espaços de convivência do município, inclusive na zona rural, como entorno de praças, escolas, postos de saúde e mercados, reforçando as ações de segurança pública e contribuindo para a organização e proteção do patrimônio público e dos cidadãos macaibenses. Esta será a primeira turma da história da Guarda Municipal do município.

Esta é a segunda etapa do curso de tiro. A primeira foi com arma automática do tipo pistola. Hoje, estamos finalizando o curso de tiro, com a aplicação da espingarda calibre 12 milímetros, fazendo com que o operador tático tenha todo o potencial nivelado com todas as instituições de segurança. O guarda municipal de Macaíba vai estar capacitado para operar com qualquer uma das instituições tecnicamente e taticamente, em patrulhamento rural, ronda escolar e auxiliando no trânsito, ordenamento, interdições e controle de área..”, relatou o comandante da GCM de Macaíba, Roberto Ângelo

Imagem: Guilherme dos Anjos

Integrantes da oposição e de partidos de centro articulam a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição para conter a atuação do Supremo Tribunal Federal. A reação se intensificou após ministros do STF ameaçarem senadores envolvidos no relatório da CPI do Crime Organizado.

Uma das propostas, relatada pelo senador Esperidião Amin, obriga investigados a comparecerem às CPIs — prática que o STF tem impedido por meio de habeas corpus. Outras PECs em discussão tratam de mandato fixo para ministros e revisão de decisões monocráticas.

O movimento ganha força no Senado e tem apoio de senadores que votaram contra o relatório da CPI, sinalizando que o incômodo com a postura do Supremo vai além da divisão governo-oposição.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) solicitou à PGR (Procuradoria-Geral da República), nesta sexta-feira (17), o arquivamento de uma representação criminal apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A notícia é do R7.

No ofício enviado à PGR, a defesa de Alessandro Vieira sustenta que, segundo jurisprudência do próprio STF firmada pelo ministro, parlamentares não podem ser criminalmente responsabilizados pelo conteúdo de relatórios apresentados em comissão. “O Direito não pode ser instrumento de geometria variável, aplicável quando convém e afastado quando incomoda”, afirma o documento.

Além dessa imunidade, a argumentação destaca que a Lei de Abuso de Autoridade exige intenção específica de prejudicar alguém, o que não teria ocorrido no caso. O pedido será analisado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também figura entre os alvos de indiciamento pedidos pelo senador no relatório.

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Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias por alguns dos principais institutos do País apontam para o mesmo diagnóstico: a menos de seis meses da eleição, Lula (PT) não conseguiu reverter a avaliação negativa de seu governo e enfrenta um cenário adverso no segundo turno, aparecendo agora numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e empatado com outros pré-candidatos da direita, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).

Os fatores que levam ao avanço de Flávio, segundo especialistas indicaram ao Estadão, incluem a transferência do capital político do pai em tempos de polarização, o cansaço após três mandatos de Lula e percepções econômicas negativas, que impactam a popularidade do presidente. Apesar disso, eles apontam também haver desafios a serem enfrentados por Flávio Bolsonaro, sendo o principal deles o desconhecimento de parte do eleitorado.

Nas pesquisas Datafolha, Quaest e Meio/Ideia, o filho de Jair Bolsonaro está empatado com Lula dentro da margem de erro, mas, pela primeira vez, numericamente à frente do petista. Os dois também têm as maiores taxas de rejeição.

                                                                                      Ratinho Junior

O quadro de polarização que hoje está dado ganhou forma ao longo dos últimos meses. Em agosto do ano passado, Lula aparecia a confortáveis 16 pontos de distância de Flávio no segundo turno da Quaest. Em janeiro, cerca de um mês depois da confirmação de seu nome como substituto do pai, a diferença caiu para sete pontos, ainda com Lula à frente. Agora, é de dois pontos, empate técnico com vantagem numérica para Flávio.

A definição das candidaturas no campo conservador impulsionou a ascensão de Flávio. Ao ser escolhido como sucessor do pai, Jair Bolsonaro, o senador se beneficiou da transferência do capital político do ex-presidente e inviabilizou a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome preferido do Centrão e da Faria Lima. Mais recentemente, outro potencial candidato deixou a disputa: Ratinho Júnior, cotado pelo PSD, decidiu permanecer no governo. Na pesquisa Quaest de fevereiro, ele chegou a pontuar 8% no primeiro turno.

Uma vez escolhido pelo pai, Flávio conseguiu unificar quase todo o eleitorado da direita e do bolsonarismo e, mais do que isso, avançou sobre o centro, entre eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. O senador tinha 21% de intenção de voto entre os eleitores independentes no segundo turno da pesquisa Quaest de janeiro. Agora, soma 33%. Lula seguiu na direção oposta: caiu de 37% para 26% no mesmo período.

Cansaço e economia jogam contra Lula


O avanço de Flávio Bolsonaro nos últimos meses acompanha o desgaste vivido pelo presidente Lula. Segundo Cila Schulman, CEO do Ideia, esse cenário beneficia o candidato da oposição. “A maioria do eleitorado (51,5%) declara na nossa pesquisa que Lula não merece mais um mandato. Isso favorece o candidato da oposição, no caso, o Flávio.”

Para a especialista, há dois fatores por trás da resistência do eleitorado a um quarto mandato de Lula: o cansaço com a figura do petista, que disputará a Presidência pela sétima vez, e a avaliação predominantemente negativa do governo, influenciada sobretudo pela piora na percepção da economia e diminuição do poder de compra.

Esse quadro é reforçado pelos dados da Genial/Quaest: 50% dos brasileiros dizem que a situação econômica do País piorou nos últimos 12 meses. Em dezembro do ano passado, esse porcentual era de 38%. Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, o principal motor desse movimento é o aumento no preço dos alimentos nos mercados: a fatia dos que dizem ter percebido alta nos preços saltou de 58% em março para 72% este mês.

O especialista destaca o desgaste do governo em dois grupos estratégicos: eleitores de renda média e de centro. Entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos, a desaprovação ao governo Lula chegou a 57% em abril, no segundo mês de alta. Já entre eleitores independentes do lulismo e do bolsonarismo, a desaprovação é de 58%.

“A grande mudança no cenário eleitoral talvez possa ser explicada pela frustração do eleitor de 2 a 5 salários mínimos, para quem a isenção do imposto de renda não produziu o efeito esperado até agora. É um público muito afetado pelo contexto econômico negativo e pelo endividamento crescente”, diz o CEO da Quaest. Ele lembra que, segundo dados da última pesquisa, 72% dos brasileiros têm muitas ou poucas dívidas a pagar.

Uma eventual recuperação do governo passa por avançar nesses dois grupos, segundo Felipe Nunes. Para ele, o governo precisará apresentar soluções concretas para o endividamento e convencer esses eleitores de que há entregas e resultados concretos.

Cila Schulman também vê o eleitorado apartidário como peça-chave na disputa. “Esses eleitores são majoritariamente mulheres e pequenos empreendedores e vivem nas regiões metropolitanas do Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Esse é o eleitorado em disputa em 2026, cerca de 5 milhões de pessoas”, diz. Segundo a especialista, o incumbente costuma melhorar no período eleitoral, o que deve ocorrer com Lula. “Portanto, será uma eleição apertada para os dois lados.”

Flávio precisa superar desconhecimento e imagem de radical


Do outro lado, o eventual favoritismo de Flávio Bolsonaro dependerá da forma como ele se apresentará ao eleitorado na campanha.

Apesar do bom desempenho do senador nas pesquisas, a diretora do Datafolha Luciana Chong chama atenção para o nível de conhecimento do pré-candidato. A última pesquisa do instituto mostra que Lula é conhecido por 99% dos eleitores, sendo que 61% afirmam conhecê-lo “muito bem”. Já Flávio é conhecido por 93%, mas apenas 34% dizem conhecê-lo muito bem e 35% só de ouvir falar.

“Lula tem uma taxa de conhecimento consistente. Flávio ainda está se apresentando ao eleitorado. E a campanha não começou de fato. Quando a campanha for para rua é que vamos saber se Flávio, ao ficar mais conhecido, conseguirá manter e expandir o capital que herdou do pai. Esse é um ponto importante se considerarmos que hoje, mesmo sendo menos conhecido, ele já está empatado tecnicamente em rejeição com Lula”, afirma Luciana.

Já Felipe Nunes sustenta que o senador tem o desafio de se descolar da imagem mais radical associada à família. “A maioria dos brasileiros ainda enxerga Flávio tão radical quanto os demais Bolsonaro. Por isso, o prognóstico hoje é o mesmo: uma eleição dura, difícil e polarizada.”

O fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, pondera que “existe uma ilusão dos dois lados” no cenário atual. “No governo, a ilusão de que a máquina pública e os programas sociais vão reconquistar esse eleitor a tempo. Na oposição, a ilusão de que o sobrenome Bolsonaro é suficiente para vencer. Nenhuma das duas coisas é verdade para aquele eleitor que hoje está nos 62% de indecisos do voto espontâneo”, diz ele, em referência aos dados da Genial/Quaest.

Estadão

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso na última quinta-feira (16) pela Polícia Federal (PF), tinha uma dívida milionária com a própria instituição que controlava quando recebeu seis apartamentos do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, avaliados em R$ 74 milhões que teriam servido como propina para deslanchar a malfadada compra da instituição pela estatal de Brasília.

Enquanto os apartamentos eram repassados a Costa, ele devia R$ 1,9 milhão ao próprio BRB. A informação foi divulgada pelo Valor Econômico e confirmada pela equipe da coluna. O passivo é cobrado na Justiça pelo banco de Brasília e se refere a aproximadamente R$ 800 mil em empréstimo com desconto na folha, R$ 978 mil em crédito consignado e R$ 172 mil em cartão de crédito e cheque especial.

Ou seja: segundo a tese dos investigadores da PF, o então executivo do BRB teria recebido em vantagens do Master um patrimônio estimado em valores quase 40 vezes superiores ao devido por ele à própria instituição estatal. Costa foi afastado do comando do banco em novembro do ano passado, na mesma data em que o Master foi liquidado pelo Banco Central (BC).

Como mostramos no blog, a Polícia Federal identificou quatro apartamentos em São Paulo e outros dois em Brasília repassados ao então presidente do BRB pelo banqueiro. Um deles fica no Heritage, no Itaim Bibi, na capital paulista, cujas unidades podem chegar a mil metros quadrados e custam até R$ 42 milhões. Costa chegou a constar como morador do edifício.

Além do Heritage, o então dirigente do banco de Brasília teria escolhido, junto com a mulher, unidades nos condomínios Arbórea, One Sixty e Casa Lafer, em São Paulo, além do Ennius Muniz e do Valle dos Ipês, em Brasília. Ler mais…

O Governo do Rio Grande do Norte decretou o contingenciamento de R$ 306,07 milhões nas despesas previstas para 2026 após registrar um déficit de mesmo valor na arrecadação do primeiro bimestre deste ano. Do total de R$ 3,049 bilhões estimados, o Estado arrecadou R$ 2,7 bilhões, o que corresponde a 89,9% do esperado. Na prática, o Estado passa a conter despesas para ajustar o orçamento à arrecadação menor que a esperada.

O contingenciamento foi publicado no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16) por meio do decreto nº 35.429/2026. Os dados sobre a arrecadação constam no Demonstrativo das Metas Bimestrais de Arrecadação da Receita Ordinária do Tesouro, referente aos meses de janeiro e fevereiro deste ano.

A frustração das receitas ocorre em um cenário em que o orçamento do Estado já previa déficit para 2026. A peça orçamentária estimava receita de R$ 25,67 bilhões e despesas de R$ 27,22 bilhões, indicando um resultado negativo de cerca de R$ 1,5 bilhão. No entanto, já no primeiro bimestre, a arrecadação ficou abaixo do previsto, o que aumenta o risco de agravamento desse déficit ao longo do ano.

Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a Secretaria de Fazenda do Estado aponta que a frustração de receita no período pode ser explicada pela influência da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. A medida, aponta, impacta tanto a receita arrecadada diretamente pelo Estado quanto por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE), que inclui o imposto de renda arrecadado pela União.

De acordo com o demonstrativo bimestral, o déficit na arrecadação do FPE foi de R$ 98,1 milhões, enquanto no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi de R$ 38,4 milhões. O valor da frustração no IRRF foi semelhante ao registrado no ICMS, de cerca de R$ 38 milhões, que teve reajuste de 20% na alíquota aprovado em dezembro de 2024. A justificativa do Governo no projeto era de evitar novas perdas na arrecadação.

Do valor total do déficit, R$ 270,03 milhões serão contingenciados pelo Poder Executivo. O decreto aponta que o valor restante do contingenciamento – que representa R$ 36,04 milhões – será distribuído entre a Assembleia Legislativa, Fundação Djalma Marinho, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Procuradoria-Geral de Justiça e Defensoria Pública de forma proporcional.

Segundo a Sefaz/RN, o contingenciamento tem por objetivo de limitar o surgimento de novas despesas, mas a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) assegura as despesas obrigatórias de caráter continuado, assim como os limites constitucionais de saúde, educação e segurança. “A ideia é contingenciar as despesas discricionárias”, destaca.

A limitação do contingenciamento nas despesas discricionárias cumpre a Lei nº 101/2000, que veda a limitação das despesas que constituam obrigações constitucionais e legais, incluindo as destinadas ao pagamento do serviço da dívida, as relativas à inovação e ao desenvolvimento científico, além das ressalvadas pela LDO.

O cenário fiscal do Estado foi analisado pela Secretaria do Planejamento, do Orçamento e Gestão (Seplan/RN).

No parecer, obtido pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a pasta aponta que, sem o decreto, o Governo correria o risco de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a LDO. Além disso, os ajustes são temporários e buscam manter a execução orçamentária em equilíbrio com a arrecadação realizada.

De acordo com a pasta, por outro lado, a limitação das despesas atinge diferentes áreas do Executivo, incluindo segurança pública (Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria da Segurança e Administração Penitenciária), fazenda, planejamento e demais pastas estratégicas.

“Como o Executivo tem uma fatia maior do orçamento das receitas ordinárias do Tesouro, arca com um percentual maior do contingenciamento. Importante salientar que a LDO traz a metodologia de cálculo da limitação do empenho, cabendo a cada poder, considerando a sua autonomia constitucional, editar ato próprio”, destaca a Sefaz.

Questionado pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE sobre a possibilidade de novas frustrações na receita, a Sefaz/RN destaca que o acompanhamento das metas é bimestral e não descarta novas limitações de empenho. “O acompanhamento é bimestral e, caso o cenário de frustração se mantenha, faz-se necessário manter o contingenciamento orçamentário no mesmo montante da frustração da receita”, esclarece.

A Seplan afirmou que, assim como em 2026, o Estado também adotou medidas de contingenciamento ao longo de 2025, com base no monitoramento contínuo da arrecadação. Segundo a pasta, as limitações de empenho foram aplicadas de forma técnica, conforme as variações de receita identificadas nos relatórios bimestrais, como forma de manter o equilíbrio fiscal. Ao fim do ano, no entanto, o governo promoveu o descontingenciamento dessas despesas para garantir o fechamento do exercício sem prejuízos às políticas públicas essenciais.

Contingenciamento pode afetar políticas públicas

O economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), aponta que, na prática, a limitação de empenho impede que o Estado, mesmo dispondo de uma dotação orçamentária, empenhe valores destinados a uma demanda. “É uma tentativa de restringir o gasto, pois o Governo não tem a certeza de que vai ter a receita”, explica.

No caso do contingenciamento do Governo do Estado, voltado às despesas discricionárias, o professor aponta que o valor inclui gastos adicionais que não conseguem ser previstos com antecedência. É o caso, por exemplo, diárias para uma viagem de urgência, além de materiais de uso permanente por órgãos públicos e valores adicionais para políticas públicas.

O professor lembra que o cenário de frustrações de receita não é um problema exclusivo do Rio Grande do Norte e atinge a continuidade de projetos voltados à população. “Esses contingenciamentos prejudicam a política pública. Vamos supor, por exemplo, que uma Secretaria do Estado contratou uma obra de estrada. Com esse contingenciamento, a pasta faz o asfalto, mas não pode fazer o empenho das placas de sinalização. Então a obra fica inacabada”, completa.

Essa não é a primeira vez que o Governo do Rio Grande do Norte realiza limitação de despesas por conta de frustração de receitas. Em 2025, os boletins de acompanhamento bimestral das metas fiscais apontam déficits no valor de R$ 373,6 milhões e R$ 474,5 milhões apenas no 5º e 6º bimestre do ano, respectivamente.

A Sefaz/RN confirmou que foram realizados contingenciamentos no exercício anterior pela Seplan/RN.

Tribuna do Norte

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