junho 18, 2026
Jaques Wagner

 

Na terça-feira (16), o senador Jaques Wagner (PT-BA) subiu à tribuna do plenário do Senado e, em tom desafiador, negou qualquer relação com o escândalo do Banco Master. “Eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa”, declarou o líder do governo Lula no Senado. Relembre a fala dele no vídeo abaixo:

Wagner ainda afirmou que “conheceu o senhor Daniel Vorcaro apenas duas vezes, uma em Salvador e uma em São Paulo”, e completou: “Não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF”. O senador classificou as acusações como “leviandade” e anunciou que seu advogado já preparava uma ação judicial contra a revista Veja, que publicou informações atribuídas à delação de Vorcaro.

Quarenta e oito horas depois, na manhã desta quinta-feira (18), a Polícia Federal respondeu ao desafio. A 9ª fase da Operação Compliance Zero mirou diretamente Wagner, com 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça, do STF, cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Segundo o G1 e a Folha de S.Paulo, agentes estiveram em endereços ligados ao senador em Salvador e em um hotel em Brasília onde ele reside. Também foram alvo imóveis vinculados a seu enteado, Eduardo Sodré Martins. A PF apreendeu 49 mil dólares, equivalentes a R$ 252 mil, em imóvel ligado ao parlamentar, conforme divulgou o Estadão.

A investigação aponta que Wagner seria o “beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, segundo a decisão de André Mendonça reproduzida pela BBC Brasil. De acordo com a PF, o senador teria recebido um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador, além de ingressos para shows internacionais em Los Angeles, voos em jatinhos e repasses a empresas de familiares, tudo viabilizado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. A contrapartida, segundo os investigadores, seria a atuação legislativa de Wagner em pelo menos três frentes: a ampliação do crédito consignado, o aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o acompanhamento da tentativa de venda do Master ao BRB, medidas que, segundo a PF, eram estratégicas para o esquema de fraudes comandado por Vorcaro.

O discurso de terça-feira no Senado, que deveria funcionar como escudo retórico, tornou-se, na prática, o registro público de uma negativa que a Polícia Federal desconstruiu em menos de dois dias. O contraste entre o tom desafiador de Wagner e a operação autorizada pelo STF expõe não apenas a fragilidade da defesa prévia do senador, mas também o grau de avanço das investigações sobre a relação entre o mundo político e o Banco Master, que segue produzindo desdobramentos em todas as direções do espectro partidário.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br

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