O Brasil apresentou retração econômica menos forte do que pares emergentes durante a pandemia do novo coronavírus em 2020, principalmente por criar medidas como o auxílio emergencial para mais de 60 milhões de pessoas.
No entanto, o país aumentou de forma expressiva seu já elevado endividamento e deixou de tomar medidas permanentes como reformas para a revisão do Orçamento público enquanto vê problemas sociais como o desemprego avançarem.
Na comparação entre 14 países (sendo sete emergentes e sete desenvolvidos), o Brasil figura na quinta melhor posição quando o critério é previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. O Brasil fica atrás apenas de China, Rússia, Estados Unidos e Japão.
Os dados são do FMI (Fundo Monetário Internacional) e foram compilados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) a pedido da Folha.
A posição no ranking de 2020 foi alcançada após uma emissão significativa de dívida para bancar as medidas anticrise, o que gerou o segundo maior pacote de estímulos fiscais da América Latina (11,1% do PIB), de acordo com o Banco Mundial.
Pela metodologia do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desocupação já chegou a um recorde de 14,2% em novembro.
Marcel Balassiano, pesquisador da área de economia aplicada do FGV/IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), afirma que o país se comportou mal durante a pandemia.
Ele lembra de fatos como as trocas de ministros da Saúde em plena crise e a escalada nas infecções, que acabaram obrigando os gastos orçamentários.
A própria espera pela vacinação enquanto países desenvolvidos já imunizam suas populações arrisca a necessidade de mais medidas extraordinárias e atrasa a retomada do país, diz.
Apesar disso, Balassiano afirma que, mesmo sem a pandemia, a situação do Brasil não seria tão animadora, já que nos últimos dez anos a atividade cresceu 0,2% ao ano em média. “O coronavírus não é a raiz dos nossos problemas, ele os reforçou”, afirma.
Para ele, acelerar o crescimento é ainda mais necessário depois da Covid-19 porque o país entrou na pandemia sem ter se recuperado totalmente das crises de 2015 e 2016.
“Precisamos recuperar as perdas dessa década. Por isso as reformas são tão importantes”, diz. Entre as listadas pelos especialistas, estão as reformas administrativa, tributária e outras que estimulem a competitividade.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por exemplo, defende que o governo melhore a eficiência de gastos, amplie a produtividade e aprimore políticas de capacitação profissional.
A Organização afirmou em relatório neste mês que um programa de reformas ambicioso para melhorar a regulamentação e a concorrência, reduzir as barreiras ao comércio exterior e reforçar as instituições e a governança econômica impulsionaria o crescimento do PIB per capita em 0,9 ponto percentual ao ano durante 15 anos.
FOLHAPRESS
