Justiça: Relator da Lava Jato no TRF4 desconsiderou fala de Cabral contra Lulinha em julgamento

No julgamento em que o TRF4 determinou o envio para a Justiça Federal em São Paulo das investigações do empresário Fábio Luís Lula da Silva,  o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato, não considerou a autodeclaração enviada por Sérgio Cabral.

Segundo o desembargador, “não é possível ponderar a autodeclaração realizada fora dos autos e não judicializada”. O magistrado ressaltou ainda que “sequer é possível identificar em que contexto a declaração foi firmada (local e data), já que não há referência” ao acordo de delação premiada fechada por Cabral homologada no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Ainda que fosse ela produzida no âmbito do acordo de colaboração premiada, é inviável emprestar-lhe eficácia, pois não judicializada, não submetida ao contraditório e não corroborada por outros elementos de prova, a semelhança do que ocorre com as declarações dos colaboradores formais”, escreveu Gebran, ressaltando ainda que os novos elementos foram entregues ao TRF4 na véspera do julgamento.

Como a Crusoé mostrou nesta quarta, Cabral afirma ter recebido um pedido de Lula para que favorecesse a empresa Lulinha, em um contrato milionário com a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Segundo o ex-governador do Rio, o pedido de Lula resultou em um repasse de R$ 30 milhões para uma empresa de Lulinha.

Para os procuradores, o depoimento de Cabral reforça a competência da Justiça Federal em Curitiba, uma vez que o ex-governador do Rio diz que parte dos valores ilícitos foram pagos mediante “compensações” de recursos que eram desviados da Petrobras.