O ministro Flávio Dino pode até ter garantido uma sobrevida de 90 dias a Alexandre de Moraes para responder por seus atos, em uma articulação que teria envolvido também os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. No entanto, a julgar pelo clamor das ruas, essa manobra política pode custar caro: a reeleição do presidente Lula.
ALINHAMENTO EXPLÍCITO NO STF

Ficou evidente para a opinião pública que a atual composição do Supremo Tribunal Federal (STF) atua em sintonia com os interesses do governo. É essa mesma ala que parece ignorar as polêmicas recentes, como o contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. Além disso, minimizam-se os diálogos vazados entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como a emissão de cartões de crédito com limites de R$ 300 mil para os filhos do magistrado — episódios que a defesa do ministro classifica como cortesias bancárias habituais e sem uso efetivo.
O TIRO SAIU PELA CULATRA

Apesar do esforço dessa ala de Alexandre de Moraes em atenuar os fatos, a reação nas redes sociais e nas manifestações de rua sugere que o tiro saiu pela culatra. O desgaste gerado tende a impactar diretamente o capital político de Lula em sua busca por um novo mandato.
O TABULEIRO DA REELEIÇÃO

A ala aliada a Moraes aposta todas as fichas na continuidade do atual governo, cenário no qual Lula herdará a indicação de quatro novas cadeiras no STF, consolidando uma linha jurídica semelhante à de Dino e Gilmar Mendes. Ocorre que parcela significativa da população começou a perceber essa estratégia e concluiu que, para frear a atual dinâmica da Corte, a derrota do projeto governista é um passo necessário.
AVASSALADOR

Um reflexo dessa mudança de postura ocorre até mesmo entre comunicadores independentes. Nas redes sociais, consolida-se um movimento avassalador de eleitores que agora enxergam na oposição — liderada pelo senador Flávio Bolsonaro — um “remédio amargo”, porém considerado indispensável diante do atual cenário institucional.
DISCURSO MUNICIADO

A última sessão do tribunal acabou por municiar a direita com uma narrativa de forte apelo popular. Expôs-se a imagem de uma Corte disposta a desgastar a própria credibilidade institucional para blindar um de seus membros mais controversos. Para os críticos, preferiu-se flertar com uma crise sistêmica no Judiciário a aplicar as devidas correções de rumo.
