Um dia após incêndio, famílias que trabalham com reciclagem voltam a galpão atingido em Natal: ‘recomeçar do zero’

“Eu trabalho há 16 anos aqui. A gente tinha acabado de chegar da rua. O fogo estava baixo, quando deu fé tomou conta de tudo. É muito triste. Tiro meu sustento daqui. Vamos recomeçar do zero de novo, ajuda daqui, de acolá, nós vamos levantar, se Deus quiser”.

A declaração é de Tânia Bernardo, 40 anos, que representa uma das 37 famílias que tiravam sustento do galpão da Coopcicla – uma cooperativa de reciclagem – na estação de transbordo de Natal. O imóvel foi destruído por um incêndio na tarde desta segunda-feira (28).

Nesta terça-feira (29), os trabalhadores voltaram ao local, para limpar as cinzas e ver o que poderia ser recuperado. Após o fogo, também houve saques. Só sobraram os fios de cobre.

Maria das Dores, de 63 anos, trabalhou 18 anos no lixão, antes de passar por um curso e se tornar recicladora. Do dinheiro que ganha no local, comprou sua casa própria, faz a feira da família, compra o bujão de gás.

“Eu quase que choro, quando cheguei. Eu trabalhava no papel ali, vi o monte de papel subindo, pegando fogo, queimando tudo. Não recupera nada. Só fogo e fumaça”, lamenta. Os trabalhadores começaram uma campanha para conseguir ajuda na recuperação.

Segundo os catadores, o fogo começou por volta das 14h na parte onde é feito o transbordo do lixo coletado nas ruas da capital potiguar. Com o vento, o fogo acabou chegando ao galpão da Coopcicla, uma das duas cooperativas que atuam regularmente na estação. O incêndio foi controlado às 18h. Não houve feridos.

O Corpo de Bombeiros combateu durante toda a tarde de segunda-feira (28) as chamas, com três caminhões, uma caminhonete de salvamento, uma ambulância e um carro de apoio com suprimentos para auxiliar. Segundo informou a assessoria da corporação, o incêndio foi considerado controlado às 18h.

Os caminhões dos bombeiros precisaram fazer o reabastecimento de água por cinco vezes até o fim da tarde, segundo informou a corporação. Carros-pipas foram enviados ao local para ajudar.

G1