
Em alusão ao Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre o diagnóstico precoce da fibromialgia, conversamos com o reumatologista Dr. Leonardo Hoff, que atua há três anos na Policlínica Dr. Luiz Faustino da Costa, da Prefeitura de Macaíba, acompanhando pacientes com a doença no município.
Segundo Dr. Leonardo Hoff, a fibromialgia ainda representa um desafio para a medicina. “É uma condição caracterizada por dor crônica difusa, presente por mais de três meses, sem que exista uma lesão específica que justifique essa dor nos braços, pernas ou em outras partes do corpo”, explica. A doença é classificada como uma dor nociplástica, ou seja, ocorre quando o cérebro passa a interpretar os estímulos dolorosos de forma exagerada, tornando o organismo mais sensível à dor, à luz, ao barulho e até a alguns medicamentos.
O médico explica que, para o diagnóstico da fibromialgia, além da dor crônica, o paciente precisa apresentar pelo menos um de outros dois sintomas: fadiga moderada a grave ou transtornos do sono também de intensidade moderada a grave.
Dr. Leonardo ressalta que a campanha do Fevereiro Roxo é especialmente importante porque a fibromialgia não é uma doença rara. “Muitas pessoas sofrem com dor crônica e a fibromialgia pode estar associada a outras condições, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, além de doenças autoimunes. É um grupo muito amplo de pacientes”, afirma.
Um dos pontos mais importantes do diagnóstico, segundo o médico, é o reconhecimento da dor. “O paciente precisa saber o que tem e entender que a dor é real. Não é ‘coisa da cabeça’ ou exagero. A dor existe e precisa ser acolhida”, destaca. Ele também alerta que não existe tratamento milagroso. “Não há um único remédio que resolva o problema. O controle da fibromialgia envolve principalmente mudanças no estilo de vida”, disse.
Segundo ele, o tratamento da fibromialgia é baseado em três pilares principais. “O primeiro e mais importante é a atividade física, pois o sedentarismo faz com que o corpo sinta mais dor do que deveria. A prática deve ser adaptada à tolerância de cada paciente. O segundo pilar é o cuidado com a saúde mental, por meio do acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. O terceiro é o tratamento medicamentoso, que possui opções limitadas e, geralmente, apresenta melhores resultados quando associado às mudanças no estilo de vida e ao cuidado com a saúde mental”, finalizou Leonardo Hoff.
Foto: Tom Alcântara
Secom-PMM
