Brex: como funciona a empresa de US$ 2,6 bi criada por brasileiros.

A Brex, startup americana criada pelos brasileiros Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, está ganhando dinheiro oferecendo crédito mais fácil para empreendedores do Vale do Silício. Criada em 2017, já é avaliada em US$ 2,6 bilhões e tem no histórico investidores de peso.

A fintech oferece cartão de crédito de pessoa jurídica apenas para startups dos Estados Unidos. O principal diferencial em comparação com os cartões de banco tradicionais americanos é a agilidade: uma versão digital do cartão é entregue aos empreendedores em até cinco minutos após o cadastro e um cartão físico chega em até cinco dias.

Outra diferença da empresa é a forma de avaliar os riscos. Ao contrário dos bancos tradicionais, que analisam o faturamento da startup, a Brex foca no histórico dos investidores do negócio, no fluxo de caixa da startup, além dos padrões de gastos da empresa.

A Brex também não pede como garantia os bens pessoais e os ganhos dos empreendedores, como acontece em outros processos para adquirir cartão corporativo. A fintech também promete que o valor do crédito ofertado seja até 10 vezes maior que o oferecido para cartões de pessoas físicas.

Recentemente, a startup anunciou a criação de um cartão de crédito específico para empresas de ciência da vida, como farmácias, negócios envolvendo biotecnologia e cosméticos. A novidade prevê recompensas como dinheiro de volta em compras de materiais de laboratório e taxas de conferência.

A Brex já havia lançado no começo do ano um cartão para startups de comércio eletrônico. De acordo com os fundadores, o negócio já representa um terço da receita da companhia.

Bagagem

Os brasileiros tiveram a ideia de criar a startup quando cursavam as aulas de Ciência da Computação na Universidade de Stanford. À época, a dupla, tentava encontrar uma nova ideia de empreender e, conversando com os colegas empreendedores da região, descobriram que uma das principais entraves para as startups iniciantes era conseguir linha de crédito nos bancos.

O conhecimento do mercado de fintech ajudou a empresa a deslanchar e conseguir investimento logo nos primeiros anos – ambos tinham vendido em 2016 a startup de pagamentos digital Pagar.me – que criaram com apenas 17 anos – para a empresa brasileira Stone.

Foi com a experiência no Brasil que os dois empreendedores conhecerem os primeiros investidores da Brex: Peter Thiel e Max Levchin, fundadores do PayPal. Ainda integram a lista dos que já aportaram na empresa fundos importantes do Vale do Silício como DST Global. IVP, Y Combinator e Greenoaks Capital.

Planos

Os fundadores descartam a possibilidade de trazer o serviço para o Brasil em médio e curto prazo e dizem que pretendem focar o crescimento no Vale do Silício. Aqui, outras startups têm se interessado por modelos semelhantes, como o Nubank que recentemente lançou um cartão de crédito para Microempreendedores Empreendedores Individuais (MEIs), ainda em fase de testes, a Banky com o foco em startups e o banco alemão recém chegado, N26 que possui um cartão para pequenos empreendedores.

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