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Quem acompanha as negociações com governadores do Nordeste diz que a chance de estados e municípios entrarem no texto da reforma da Previdência ainda na comissão especial é praticamente zero.

Deputados continuam criticando a covardia dos esquerdistas, que insistem em querer se beneficiar dos efeitos da reforma sem bancar o ônus de apoiá-la publicamente.

Experientes policiais civis de Brasília não acreditam que o sargento Manoel Silva Rodrigues, preso na Espanha com 39kg de cocaína, agiu sozinho ou que seja principiante no tráfico de drogas.

Ele chegou a Sevilla no avião que levava a Tóquio o pessoal de apoio à visita presidencial. Eles tampouco descartam que a polícia espanhola tenha feito a revista após obter informação de delatores.

O sargento parecia seguro, sem encobrir a droga com roupas, em sua mala de mão.

Foto:  Divulgação

O relator da reforma da Previdência na comissão especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresenta nesta terça-feira (2) o voto complementar com as mudanças que fez no parecer que já havia sido apresentado por ele. Antes, o parlamentar e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se reúnem com os governadores para tentar fechar um acordo em relação à inclusão de estados e municípios no texto da proposta.

Eles querem que os comandantes estaduais, que também enfrentam dificuldades financeiras por conta do déficit previdenciário, exijam que os deputados e aliados apoiem a reforma. Isso vale para os governadores, inclusive, da oposição.

O líder do Podemos, deputado José Nelto, diz que há uma espécie de conflito de interesses e é preciso que todos aqueles que querem ver a reforma aprovada se envolvam ativamente na articulação pelos votos. “É muito fácil. O que querem os governadores? Casados, levando a vida de solteiros. Não trazer nenhum voto para a reforma de Previdência e, mais ainda, criticando lá na base os parlamentares nossos, que querem construir uma nova Previdência para o Brasil”, afirmou.

A expectativa era que o voto complementar de Moreira já tivesse sido apresentado e lido na última quinta-feira (27). O atraso do cronograma, no entanto, não deve atrapalhar os planos de ver o texto aprovado pela comissão especial e encaminhado para o plenário ainda nesta semana.

Essa é avaliação, inclusive, do presidente do colegiado, deputado Marcelo Ramos (PL). “Nós temos uma chance histórica de dar um passo significativo no necessário equilíbrio fiscal do nosso país e nós não podemos fazer isso pela metade. Nós podemos, definitivamente, resolver a questão previdenciária no país equilibrando as contas de todos os entes federativos”, ressaltou.

Jovem Pan

No final da noite deste último domingo (30), um tiroteio foi registrado no bairro Alto da Raiz, em Macaíba. De acordo com informações da ConnectTV, vários tiros foram ouvidos na região, onde a polícia acredita que o motivo seja guerra de facções.

Ainda segundo o blog, ação criminosa resultou em uma residência arrombada e um carro incendiado.

A morte de um militar preso na Venezuela por um suposto plano para derrubar e assassinar o presidente Nicolás Maduro desatou uma onda de rechaço internacional, com pedidos para o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos investigar o caso.

O Grupo de Lima – formado por 13 países da região e o Canadá – repudiou, neste domingo, em um comunicado, “o assassinato” do capitão Rafael Acosta Arévalo, ocorrida na madrugada de sábado, após opositores venezuelanos, a família do oficial e organizações de direitos humanos denunciarem a morte do “torturas selvagens”.

O grupo “pede à comunidade internacional, especialmente ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, agir sem demora para que os direitos dos venezuelanos sejam restaurados e sua integridade seja protegida”, afirma o comunicado conjunto divulgado pela Chancelaria argentina.

Também Washington manifestou-se para dizer que “condena o assassinato e a tortura” de Acosta Arévalo “sob custódia dos matadores de Maduro”, destacou em um comunicado o Departamento de Estado, que pediu às democracias do mundo” que se unam para “exercer pressão” sobre o governo socialista. “Este ato de barbárie nos deve levar à ação”, diz o texto.

John Bolton, assessor de segurança da Casa Branca, responsabilizou no Twitter a direção de contrainteligência militar da Venezuela (DGCIM). A União Europeia (UE), por sua vez, pediu uma “investigação completa e independente” sobre a morte do militar.

A morte de Rafael Acosta Arévalo, “enquanto estava sob custódia das forças de segurança venezuelanas, é outro claro exemplo do caráter arbitrário do sistema judicial do país e da falta de garantias e direitos dos presos”, indicou em um comunicado a diplomacia do bloco.

A UE, que considerou que a morte do militar “não pode ficar impune”, apoiou os esforços da ONU para “garantir a plena proteção dos direitos humanos” dos venezuelanos. Acosta foi torturado “selvagem e brutalmente”, disse no sábado o líder do Parlamento, Juan Guaidó, autoproclamado e reconhecido presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países.

Segundo ativistas de direitos humanos, o capitão havia sido apresentado na sexta-feira em uma cadeira de rodas, com “sérios sinais de tortura”.

O Ministério da Defesa disse no domingo em um comunicado que Acosta “desmaiou” durante a audiência e que o juiz ordenou sua transferência para o hospital militar em Caracas, onde morreu. Ele não mencionou a palavra “tortura”. Os Estados Unidos, principal aliado de Guaidó, consideraram o caso como “um exemplo sombrio” da extensão da perseguição contra os adversários de Maduro.

“A ditadura é tão cruel com os agentes quanto contra os civis, ninguém está a salvo”, escreveu Kimberly Breier, vice-secretária de Estado, no Twitter, citando um comunicado da embaixada americana em Caracas.

Acosta foi preso em 21 de junho por uma suposta conspiração para derrubar e matar Maduro, sendo um dos 13 capturados pelo caso, segundo o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, na quinta-feira passada. Bachelet estava visitando a Venezuela no momento da prisão.

O Parlamento da Venezuela, de maioria opositora, também pediu neste para a ONU investigar a morte do militar. A Comissão de Política Exterior do Legislativo, em um comunicado que divulgou neste domingo, pediu para a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, “uma investigação imparcial urgente” sobre a morte do

O documento também se dirige à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e à Corte Penal Internacional.O Parlamento pediu ainda para a análise a autópsia do corpo ser feita por uma “equipe forense independente internacional”, além da “verificação do estado de saúde” de todos militares presos acusados de conspirar contra o governo de Nicolás Maduro.

Todas as decisões do Congresso, o único poder controlado pela oposição, são consideradas nulas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e uma Assembleia Constituinte 100% pró-governo assumiu suas funções na prática.

G1

O pedaço da sociedade leal a Jair Bolsonaro voltou às ruas neste domingo. O país vai se habituando a um fenômeno novo: o protesto a favor. Dessa vez, a favor de Sergio Moro, da Lava Jato e de pautas que interessam ao governo no Legislativo —sobretudo a reforma da Previdência e o pacote anti-crime.

Foi o segundo ato organizado por simpatizantes do governo em 35 dias. O primeiro, em 26 de maio, veio em resposta a um protesto de estudantes e opositores do governo contra o congelamento de verbas para a Educação. Agora, a mola propulsora foi a divulgação de mensagens tóxicas atribuídas a Moro e aos procuradores da Lava Jato. O temor da anulação da condenação de Lula enviou ao asfalto os defensores do combate à corrupção. Vão abaixo quatro conclusões que ajudam a compreender as consequências da nova manifestação:,

1) A base social de Bolsonaro: Em termos nacionais, a manifestação deste domingo foi equiparável à de 26 de maio, talvez ligeiramente menor. Nenhuma das duas foi monumental. Nada comparável aos atos pró-impeachment de Dilma Rousseff. Mas ambas estão longe de ser inexpressivas. Ao contrário, revelam que Bolsonaro mantém uma base social sólida e fiel, a despeito da queda dos seus índices de popularidade.

2) As instituições sob pressão: Os refrões, os figurinos e as alegorias do ato não deixam dúvida. O Congresso e o Supremo Tribunal Federal continuarão enfrentando uma pressão de fora para dentro. Hostilizaram-se congressistas, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Foram atacados também ministros do Supremo. Gilmar Mendes foi o alvo mais evidente.

Embora congressistas e magistrados digam neguem a influência do asfalto nas suas decisões, é improvável que Brasília ignore o tamanho do meio-fio ao programar os seus passos. Isso já está acontecendo. O fenômeno ajuda a explicar a disposição do Congresso para entregar uma reforma da Previdência tão indispensável quanto impopular. Deputados e senadores não querem ser responsabilizados pela crise.

Compreende-se melhor também por que a Segunda Turma do Supremo adiou para depois das férias o julgamento do pedido de suspeição de Moro, indeferindo por 3 a 2 a abertura antecipada da cela do presidiário petista. Uma das bandeiras do asfalto é justamente a ressurreição da CPI da Lava Toga, arquivada no Senado apesar de dispor de apoiadores na quantidade exigida pelo regimento.

3) O presidencialismo de trincheira: Bolsonaro enxerga nas ruas respaldo para manter a corda esticada nas suas relações com o Legislativo. No Twitter, o capitão anotou neste domingo: “A população brasileira mostrou novamente que tem legitimidade, consciência e responsabilidade para estar incluída cada vez mais nas decisões políticas do nosso Brasil.”.

Há na ótica do presidente uma distorção e um quê de miopia. Não foi a “população brasileira” que saiu às ruas, mas um pedaço dela, eis a distorção. Bolsonaro foi eleito porque os votos das pessoas que pensam como ele foram reforçados pelo apoio dos eleitores que não queriam de jeito nenhum a volta do PT ao poder. Esse pedaço do eleitorado antipetista mudou de faixa. Está no acostamento. Já não existe unidade nem mesmo no bloco bolsonarista.

De resto, o déficit de interlocução política empurra o Legislativo para uma pauta própria, nem sempre coincidente com a do Executivo. A queda de braço já começou e será intensificada depois da aprovação da reforma previdenciária. Nessa briga, o interesse público só está presente até certo ponto. O ponto de interrogação.

4) Os limites da tática do confronto: Quando os partidários de Bolsonaro foram às ruas em 26 de maio, a previsão de crescimento da economia captada no mercado pela pesquisa Focus, do Banco Central, era de 1,24% para o ano de 2019. Na última segunda-feira, a mesma enquete resultou numa estimativa de evolução do PIB de ridículos 0,87%.

O flerte com a volta da recessão e a presença de 13 milhões de desempregados no olho da rua intima o governo de Bolsonaro a apresentar resultados. Sob pena de levar às ruas não os apologistas do governo, mas os brasileiros que estão de saco cheio da polarização eterna.

Ou seja: num ponto o governo de Bolsonaro é igualzinho às administrações anteriores: seu futuro depende do desempenho. Sem prosperidade não há popularidade.

JOSIAS DE SOUZA