agosto 17, 2026
Lulinha e Roberta

Mensagens em posse da Polícia Federal e obtidas com exclusividade pela coluna revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar do empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda. O empresário ganhou mais de R$ 80 milhões em contratos junto ao governo federal, especialmente durante o governo Lula. A informação é da coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles.

Cleber Ribas é investigado pela PF no mesmo inquérito que apura corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente da República. Conforme revelou a coluna, o empresário pagou pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger para “prospecção de clientes”.

As mensagens revelam que a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger vai além de uma simples amizade. O filho do presidente não somente sabia da atuação e dos interesses da lobista, como também a orientava e participava de reuniões junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula.

No dia 24 de julho de 2023, Lulinha solicita a Roberta que ela convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para se dirigir à Praia do Forte, na Bahia. “Aqui todo mundo”, diz o filho do presidente. “Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”, responde a lobista. Em seguida, Lulinha orienta a amiga a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, comemora Lulinha.

O relatório da Polícia Federal narra ainda que dias depois Cleber Ribas solicitou a Roberta uma reunião com Lulinha, em 31/05/2023. Em seguida, ele informa que Rodrigo Assumpção assumiu como novo presidente da Dataprev.

Os inquéritos contra Lulinha foram autorizados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Flávio Dino e investigam, entre outros pontos, a relação do filho do presidente com empresários e sua suposta atuação junto a órgãos do governo federal.

Em uma outra conversa revelada nesta segunda-feira (17/8) pela coluna, Roberta afirma que ela e Lulinha trabalham em um nível diferenciado e diz que o futuro deles é a Suíça. Na mesma ocasião, o filho do presidente da República menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Marcola era um dos principais assessores de Lula, despachava na antessala do presidente e mantinha interlocução com integrantes do governo. Berger, por sua vez, foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, vulgo Careca do INSS, que enviou repasses que somam R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger. Em uma das transferências, o Careca afirmou a interlocutor que o dinheiro era para “o filho do rapaz”.

Roberta Luchsinger, segundo a PF, pagava contas e dava presentes a Marcola. Mensagens obtidas pela coluna mostram que ela discutiu com o então assessor a compra de um par de solitários e um colar de diamantes. Segundo interlocutores da defesa de Marcola, as joias custaram R$ 9,2 mil e integravam um empréstimo de R$ 249 mil feito pelo ex-assessor com Roberta, posteriormente pago com juros e correção.

Em nota, a defesa de Lulinha informou que não irá comentar ou validar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original, de origem e integridade não verificadas e cuja seleção descontextualizada pode ser manipulada para construir narrativas distorcidas da realidade.”

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