Com queda nos juros, busca por crédito tem o maior crescimento desde 2010

A administradora de empresas Sara Ramos Aurélio, de 24 anos, tinha, em maio deste ano, dívidas em atraso de R$ 7 mil entre cheque especial e cartão de crédito. Ela gastou com roupas, celular, viagens, restaurantes e acumulou pendências incompatíveis com a sua renda mensal de R$ 5 mil. “Em maio, cheguei ao meu limite”, conta. A saída foi buscar R$ 8 mil em uma linha de crédito mais barata, o consignado, para se livrar da dívida antiga e mais cara.

Agora, por três anos, todo mês o banco vai descontar R$ 280 diretamente do seu salário para ir quitando o novo financiamento. “O juro menor me motivou a renegociar a dívida”, diz. Foi o que deu coragem à administradora para assumir, na semana passada, um financiamento de 30 anos para a compra da casa própria, avaliada em um pouco mais de R$ 200 mil.

Sara engrossa as estatísticas de milhões de brasileiros que procuraram crédito neste ano. Até agosto, a demanda do consumidor por financiamentos teve a maior expansão dos últimos nove anos.

Desde janeiro, o aumento do número de pessoas que buscaram crédito foi de 10,3%, em relação a igual período do ano passado, segundo a empresa de informações financeiras Serasa Experian. Essa marca só foi superada em 2010, quando a procura avançou 16,4% – mas em uma economia que cresceu 7,5%.

ROBSON PIRES