
Dez dias após ter sua transferência autorizada da Papuda para a Papudinha, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa avança nas tratativas para um acordo de delação premiada.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, Paulo Henrique deve assinar ainda esta semana o termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O termo de confidencialidade representa a primeira etapa das negociações de um acordo de colaboração premiada. É esse documento que garante o sigilo das informações e protege tanto o colaborador quanto as investigações.
Diante das condições assinadas, a defesa de Paulo Henrique e as autoridades vão debater os fatos com segurança. Esse é o mesmo termo assinado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de começar as negociações para um acordo, que duram até os dias atuais.
Após a assinatura, Paulo Henrique começará a fornecer as informações a que teve acesso, citar quem pode estar envolvido e discutir o que pode ser negociado. A delação, antes de tudo, precisa ser aceita, trazer fatos inéditos e que possam ser comprovados.
Prisão

O executivo foi preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero acusado de receber R$ 146 milhões de propina para favorecer interesses do Banco Master em negócios com o BRB.
Conforme aponta a investigação da Polícia Federal, o caso está relacionado a crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta ou temerária de instituição financeira, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Transferência

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Paulo Henrique Costa da Papuda para a Papudinha em 8 de maio. No dia seguinte, ele foi para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
A decisão da transferência ocorreu após a defesa de Paulo Henrique encaminhar ao STF petição na qual informa o interesse do ex-chefe do BRB em negociar acordo de delação premiada no âmbito do caso envolvendo o Banco Master.
“O requerente sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”, afirmaram os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino no documento enviado à Corte.
Apesar disso, a defesa ressaltou que a eventual colaboração “depende da convergência de alguns fatores”.
Os advogados também pediram que Paulo Henrique seja ouvido pela PGR, para que ele possa exercer “de forma plena” o direito à autodefesa, além de garantir “a máxima, senão plena, confidencialidade entre advogado e cliente”.
Rapidez

Paulo Henrique quer fechar o acordo antes do dono do Master, Daniel Vorcaro, com o objetivo de conseguir mais benefícios. Para aceitar a delação, ele deve levar informações inéditas aos investigadores e entregar pessoas que estariam acima dele no esquema criminoso.
Com informações de Manoela Alcântara, do Metrópoles.
