Mercado: Cenário internacional negativo faz dólar subir a R$ 3,85

Após cair nos quatro últimos pregões, o dólar voltou a subir e fechou a quinta-feira, 14, em alta de 0,93%, cotado a R$ 3,8489. Os investidores decidiram embolsar os lucros acumulados nas últimas sessões, aproveitando a valorização da divisa no exterior. A aversão ao risco predominou nos mercados depois que o Parlamento britânico rejeitou algumas medidas referentes à separação do Reino Unido da União Europeia. Sem novidades que indicassem o avanço da reforma da Previdência na Câmara, o real foi a moeda que mais perdeu valor ante o dólar no dia, considerando uma lista das 24 principais divisas internacionais.

No mercado de ações, depois de ter renovado seu recorde histórico, aproximando-se do emblemático patamar dos 100 mil pontos, o Ibovespa cedeu novamente aos ajustes e terminou a quinta-feira em baixa de 0,30%, aos 98.604,67 pontos. Os negócios somaram R$ 12,2 bilhões. Embora a confiança no avanço da reforma da Previdência não tenha se dissipado, faltou, segundo operadores, notícia nova que impulsionasse o indicador a superar a resistência psicológica à marca dos seis dígitos.

Dólar

O dólar operou em alta desde a abertura, chegou na máxima do dia, em R$ 3,8548, em meio a votações no Parlamento britânico sobre medidas para o Brexit, algumas delas rejeitadas, causando estresse nos mercados de moedas. No final, o Parlamento aprovou projeto para pedir adiamento da saída ao menos até 30 de junho.

Os estrategistas em Nova York do grupo financeiro japonês Nomura veem o real no meio de duas forças nos próximos meses, a pressão externa e os desdobramentos da reforma da Previdência no Congresso. A desaceleração da economia mundial pode pesar no real, a moeda da América Latina mais sensível a notícias externas, segundo os economistas da instituição.

O Nomura alterou suas projeções para o dólar no Brasil e agora espera a moeda subindo a R$ 3,95 no segundo trimestre, ante R$ 3,70 da estimativa anterior. Para o quarto trimestre, a previsão foi elevada de R$ 3,60 para R$ 3,95. Já para 2020, a alta do dólar deve perder força, por conta dos reflexos da provável aprovação da reforma da Previdência, e a moeda pode recuar para os R$ 3,65 no quarto trimestre, ante R$ 3,80 esperados anteriormente.

Bolsa
O Ibovespa chegou a subir levemente pela manhã (até +0,13%), mas sucumbiu à realização de lucros recentes. As bolsas de Nova York tiveram desempenho fraco e também contribuíam para a queda na primeira etapa dos negócios. As mínimas do dia, no entanto, foram alcançadas à tarde, na esteira da aceleração da alta do dólar, após o Parlamento do Reino Unido aprovar o projeto que orienta o governo da primeira-ministra Theresa May a pedir o adiamento do período do Brexit à União Europeia. Com o dólar chegando a subir mais de 1% ante o real, o Ibovespa atingiu mínima de 97.775,54 pontos (-1,14%).

“Depois da euforia da quarta-feira, hoje o mercado operou ancorado nos 100 mil pontos. É uma marca que não quer dizer nada, mas muitos ‘players’ têm estado ancorados nela”, disse Rafael Winalda, analista da Toro Investimentos. Com a resistência psicológica e a falta de novidades significativas sobre a Previdência, diz, não houve fôlego para o índice continuar avançando. Ainda assim, o Ibovespa acumula ganho de 3,16% em março.

Mais cedo já havia mal estar com dados da produção industrial da China, que ficaram aquém do esperado e reforçaram a percepção de desaceleração da segunda maior economia do mundo. O dado derrubou preços de commodities, sobretudo metálicas e energéticas, o que penalizou as ações de Vale e Petrobrás. Uma recuperação parcial dos preços do petróleo acabou favorecendo a alta das ações da estatal, que fecharam com ganhos de 1,13% (ON) e de 0,32% (PN). Vale ON também teve fôlego para uma recuperação e fechou perto da estabilidade, com alta de 0,02%.

Foi determinante para o sinal negativo do Ibovespa o bloco do setor financeiro, o mais representativo da carteira teórica. Itaú Unibanco PN caiu 1,58% e Banco do Brasil ON cedeu 0,76%.

Estadão Conteúdo

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