Cadastro de investidores no Tesouro cresce 56% em um ano. Saiba aplicar

O número de investidores cadastrados no Tesouro Nacional aumentou de 1.539.936 para 2.397.549 nos últimos 12 meses, segundo dados da BMF&Bovespa.

O crescimento também pode ser verificado no estoque total de dinheiro “emprestado” ao governo, que beirou os R$ 50 bilhões no mês de julho, valor quase 5% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado.

O diretor comercial da corretora Easynvest, Fabio Macedo, atribui o aumento do interesse pelo Tesouro Direto à educação financeira e à busca por maiores rentabilidades. “As pessoas passaram a enxergar que existem outras possibilidades que agregam muito mais retorno”, afirma.

O operador de renda fixa da corretora Nova Futura, André Alírio, lembra ainda que os títulos do Tesouro se tornam atrativos por possibilitar investimentos a partir de R$ 30 com a possibilidade de resgate “a qualquer momento” devido à liquidez diária e o “menor risco do mercado”.

Apesar de ter ganhado força nos últimos anos, o Tesouro Direto ainda é escolhido por apenas 3% dos investidores brasileiros, conforme dados apresentados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Para Alírio, o baixo percentual de investidores com títulos públicos pode estar relacionado ás ofertas feitas pelos bancos aos clientes. “As páreas de seguro e previdência dos bancos estabelecem metas para os gerentes e tudo isso faz com que esses ativos tenham ainda uma quantidade grande de investidores”, observa.

Ao comentar sobre a questão da insegurança dos investidores, Macedo afirma que o dinheiro aplicado no Tesouro Direto não fico em poder da corretora. “Eventualmente, se a corretora tiver algum tipo de problema no futuro, o patrimônio dos investidores está guardado em um outro local”.

Como investir?

A primeira coisa que o brasileiro deve fazer ao decidir investir no Tesouro Direto é abrir a conta em uma corretora. Depois, o próximo passo consiste em fazer uma análise para saber qual dos três títulos disponíveis mais se adequa ao perfil do investidor.

“Se ele for mais conservador, o ideal é que se invista no Tesouro Selic, no qual, independe de como se porte os juros, será ganho a rentabilidade do ativo”, orienta Alírio ao falar sobre o título que é ligado à taxa básica de juros, atualmente no patamar de 6,5% ao ano.

Macedo explica que o Tesouro Selic é o mais indicado para aquelas pessoas que “não têm nenhum apetite para riscos” ou para aqueles que desejam retirar os recursos em um curto período de tempo. “Se a Selic subir amanhã de 6,5% ao ano para 7% ao ano, ele vai passar a render o equivalente a 7% ao ano”.

Indicado para quem não tem a intenção de retirar o dinheiro no curto prazo, o Tesouro IPCA garante que os investidores não percam dinheiro se o índice de preços subir. “Esse tipo de título é muito utilizado por aqueles investidores que estão pensando no longo prazo, porque ele mantém o poder de compra e confere um ganho real ao ano”, afirma o diretor comercial da Easynvest.

Para aqueles investidores que preveem a queda dos juros no futuro, o investimento público mais indicado são os títulos pré-fixados. “Você pode entrar hoje com o título ganhando 12% até o vencimento e você sabe exatamente quanto vai receber”, explica o operador de renda fixa da Nova Futura.

Alírio alerta ainda que, com a possibilidade de resgatar os recursos todos os dias da semana, é possível perder dinheiro ao retirar o investimento dos títulos pré-fixados e atrelados ao IPCA antes do vencimento. “No Tesouro Selic, ele não corre esse risco”, garante.

“Tem investidores que só têm um tipo de título, outros que têm um pouco de cada um e isso vai depender muito dos objetivos financeiros”, aconselha Macedo, que recomenda ao investidor uma suficiente para seis meses em um investimento de maior liquidez, como o Tesouro Selic.

R7, com Reuters

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